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Objetivos geral e específicos do Plano de Ação 2007-2011  

Objetivo geral

Ter colaborado com um amplo leque de parceiros para a expansão e aprofundamento do conhecimento técnico, científico e político, da consciência e da propensão para a ação transformadora por parte das pessoas e coletividades com as quais trabalhamos, no sentido da autonomia e da autogestão do seu desenvolvimento socioeconômico, político, cultural e humano, da sua articulação em redes sinergéticas e não hierárquicas, e da sua educação e organização como sujeitos do desenvolvimento, capazes de ampliar sua influência sobre os centros de poder para a adoção de políticas e práticas emancipatórias.

Objetivos específicos

 1. O Pacs tem trabalhado na elaboração de propostas de políticas e práticas redistributivas e, sobretudo, na construção de práticas de economia que têm por base a cooperação e a solidariedade. No próximo qüinqüênio, focalizaremos nossas capacidades e energias nos fatores determinantes do enriquecimento da minoria e do empobrecimento da maioria, e nas políticas e práticas de confrontação e superação dos mesmos. E incorporaremos estas reflexões e propostas no trabalho que fazemos de desenvolvimento local com comunidades, com entidades parceiras, movimentos e redes.

 2. O Pacs aprofundará o trabalho sobre o tema do sobre-endividamento, apresentando as evidências sobre quem são os verdadeiros credores, e qual a contrapartida às dívidas financeiras em termos de endividamento social e ambiental. Focalizaremos, em particular, na mobilização das lideranças sociais e políticas (de organizações populares, do movimento ecumênico, de associações profissionais, e do movimento sindical; de partidos políticos e de representantes eleitos para o Executivo e o Legislativo) para ações visando soluções duráveis. Em particular, desejamos comprometer mais o Senado com sua responsabilidade constitucional de fiscalizar todo compromisso externo do País que implique endividamento.

 3. O Pacs pretende contribuir com artigos, entrevistas e participação em atividades das redes respectivas, para a ampliação da consciência da sociedade sobre os impactos dos tratados de livre comércio na vida cotidiana dos/as brasileiros/as e os caminhos que se abrem, em particular na América do Sul, para uma integração baseada na cooperação autêntica entre os povos, na complementaridade de riquezas materiais e humanas, e na solidariedade.

 4. O Pacs intensificará seu apoio a empreendimentos no Rio de Janeiro e no desenvolvimento de redes participativas em nível local, nacional e internacional. Nossa contribuição, que consistirá num acompanhamento assíduo a empreendimentos e comunidades selecionadas, no próximo qüinqüênio visa dar maior consistência e coerência a essa construção, fornecendo reflexões, publicações, colaboração com os empreendimentos e redes na relação com os gestores públicos, e na criação e desenvolvimento de iniciativas e práticas inovadoras. Na esfera da reflexão, estaremos pesquisando os temas que contribuem para a sistematização criativa e comunicativa de práticas, focalizando em particular as contradições e os desafios externos, mas também internos, ao movimento.

Programas para o Plano de Ação 2007-2011

1. Autodesenvolvimento: Práticas Autogestionárias e Solidárias

Projeto 1.1: Práticas Socioeconômicas de Desenvolvimento Local

Este projeto tem como ponto de partida a preocupação com a redução da população em situação de fome e/ou que vive na pobreza. O projeto assinala o foco na ação local como estratégia de enfrentamento de temas como produção/comercialização, consumo e orçamento público, no âmbito da economia popular. Tenciona fomentar e qualificar a participação de moradores/as no mapeamento das condições socioeconômicas e culturais das comunidades selecionadas; a articulação de entidades e pessoas, e a consolidação de uma Rede de Apoio ao Desenvolvimento Local. Essas ações articuladas ganham sustentação através da implantação de um Programa de Formação Permanente em socioeconomia e cultura solidárias e da produção de materiais de apoio.

A permanência na região da Zona Oeste do Rio de Janeiro como referência para o desenvolvimento do projeto tem o propósito de contribuir para um salto qualitativo nas experiências locais em curso no campo da socioeconomia. Essa região da cidade representa cerca de 58% de todo o território do município, com 35% de sua população total, incluindo 39 bairros e sub-bairros, e 185 favelas, segundo dados do censo de 2000. Essa extensa faixa territorial vem sofrendo intensos ataques, seja pela especulação imobiliária de áreas nobres próximas ao bairro emergente da Barra da Tijuca, seja pelo assentamento de populações excluídas, como moradores de rua, vítimas de catástrofes ambientais, ou ainda, provenientes de remoção de áreas nobres da cidade.

OBJETIVO

Consolidação de uma Rede de Apoio ao Desenvolvimento Local, capaz de articular ações e/ou criar iniciativas complementares para a redução da pobreza, em especial, daquelas que visam a ampliação do acesso ao trabalho digno e produtivo.


Projeto 1.2: Ecovilas E Ecocidades

Depois de colaborarmos durante alguns anos na formação de participantes de Ecovilas e de profissionais interessados em participar em formas cooperativas e sustentáveis de organização produtiva, decidimos dedicar um projeto à temática das Ecovilas e das Ecocidades.

As Ecovilas fazem confluir a permacultura, o estilo consciente e ético de consumir, que implica na redução ao mínimo, ou a zero, do desperdício; na reutilização e reciclagem; no desenvolvimento de formas alternativas e sustentáveis de energia; na multiplicação de iniciativas produtivas autogestionárias e de trocas fundadas na solidariedade e na sustentabilidade, e na ação de ampliar sempre mais as sinergias através do desenvolvimento de redes de economia ecológica e de colaboração solidária. 

O Pacs considera estas iniciativas como constituintes de uma vertente promissora da Economia Solidária. A importância delas é especialmente relevante se tomamos como referência a reflexão prospectiva feita acima sobre a realidade internacional e nacional: elas podem tornar-se fontes de um novo paradigma de organização socioeconômica territorialmente circunscrita, mas ao mesmo tempo articulada em redes e fazendo parte de cadeias solidárias de consumo, produção e distribuição de bens, serviços e saberes. 

Colocar estas iniciativas e experiências em contato com outras iniciativas da economia solidária apoiadas pelo Pacs, em especial na Zona Oeste do município do Rio de Janeiro, servirá tanto para o aprendizado dos participantes quanto para a formação da equipe do Pacs.

OBJETIVO

Ecovilas e Ecocidades em que o Pacs intervenha fortalecidas através dos processos de formação de participantes nas áreas de planejamento do desenvolvimento integral comunitário e desenho socioeconômico de Ecovilas e Ecobairros. 


Projeto 1.3: Mulheres e Socioeconomia 

O projeto se constitui a partir da constatação de que existe uma dimensão sexista da pobreza, uma vez que as mulheres negras chegam a ganhar 70% menos de salário que os homens, e as brancas em torno de 30% menos, e na maioria das vezes tendo uma maior escolaridade. Há ainda a dupla jornada de trabalho das mulheres, que é invisível no cotidiano; para os teóricos da economia, inclusive Marx, isso ocorre porque o trabalho doméstico não produz valor de troca. 

Um desdobramento que estamos consolidando no Rio de Janeiro é a experiência do curso Mulheres e Economia, voltado para um público de mulheres populares; líderes comunitárias de projetos de economia popular e/ou solidária; militantes do movimento de mulheres (principalmente da Marcha Mundial das Mulheres); sindicais e estudantes. O curso já conta com 5 edições, sendo uma localizada na Zona Oeste da Cidade do Rio de Janeiro. A experiência de fazê-lo no local apresentou-se de forma muito enriquecedora, pois, além de possibilitar aprofundar a pesquisa e a discussão – pensando também na territorialidade e, portanto, no desenvolvimento local – criou uma dinâmica de uma coordenação político-pedagógica junto às ex-alunas de cursos anteriores que moram na região. Pretendemos repetir essa experiência tanto para a Zona Oeste quanto para a Baixada Fluminense, nos próximos anos. 

Uma das nossas intencionalidades com este curso era a formação de formadoras sobre temas macroeconômicos. Porém, como acreditamos na formação como um processo permanente, aquelas que se interessaram por de fato estudar o tema e ensiná-lo a outras companheiras/os, criaram um grupo de estudos que, após um período inicial de amadurecimento do que elas desejavam construir, tornou-se o Comitê Popular de Mulheres. Nós participamos deste no intuito de produzir textos e reflexões junto com elas, mas as ações devem ser construídas e consolidadas por estas mulheres. Entendemos que será importante nos próximos 5 anos elas construírem autonomia em relação ao PACS, tornando-se nossas parceiras na promoção dos cursos Mulheres e Economia e na ação política junto aos vários movimentos sociais. 

Nossa outra intenção com o curso é construir com as educandas a perspectiva delas se organizarem no movimento de mulheres. Mesmo após a fundação do Comitê Popular de Mulheres, procuramos trabalhar com elas a importância de o próprio Comitê estar inserido num movimento de maiores proporções, até por compreendermos que a luta das mulheres é similar em todas as partes do mundo, pois em todo canto existe opressão sexista, machismo e patriarcado.

OBJETIVOS

Qualificar em questões econômicas e incentivar a participação política de mulheres de movimentos populares, sindicais e comunitários, especialmente do Rio de Janeiro.

2. Ecodesenvolvimento: Para Além das Amarras da Dominação

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Projeto 2.1: Dívidas, IFIs e Orçamento 

Os temas da dívida pública, instituições financeiras internacionais e orçamento estão intrinsecamente ligados, num mundo em que as relações de poder são extremamente assimétricas. Analisando a experiência histórica de exploração, o endividamento tem sido usado pela corporatocracia, governos do Norte e IFIs como uma arma de submissão dos povos do Sul; por outro lado, estes povos são, na verdade, credores de uma dívida social e ambiental em relação aos países do Norte e às elites locais que têm extraído os maiores benefícios do endividamento financeiro público. 

As instituições financeiras multilaterais têm se constituído num importante instrumento de controle das políticas macroeconômicas dos países subdesenvolvidos. Como podemos observar pela experiência recente, a liberação de recursos, seja pelos programas de ajuste do FMI como pelos projetos do Banco Mundial e do BID, envolvem o cumprimento de certas políticas econômicas. Estas políticas se encontram em consonância com a estratégia política comum destas instituições, que privilegiam claramente a garantia dos credores financeiros internacionais em detrimento dos projetos democráticos de desenvolvimento para os quais estas instituições supostamente foram criadas. Neste sentido, este projeto faz parte do combate à forma pela qual as instituições multilaterais vêm atuando, e da luta pela reestruturação das mesmas sob uma forma democrática e soberana. A interação direta com quadros dessas instituições, com técnicos das agências do governo brasileiro e com congressistas, especialmente senadores, terá destaque no trabalho de incidência. Estaremos interagindo também com organizações e redes de outros países da ALC, e também do hemisfério Norte, para fortalecer o poder negociador e de incidência dos movimentos sociais sobre os centros de poder.

Dado que os recentes programas destas instituições têm configurado o controle do Orçamento Público para garantir os gastos com as dívidas financeiras como prioridade, incluímos esta questão no projeto. Acreditamos que, apesar das sucessivas restrições impostas pelos programas de ajuste, as políticas públicas devem ser construídas de forma participativa e coerente com o projeto de ecodesenvolvimento. 


Concretamente, a atuação do Pacs vem se dando através da participação ativa no Fórum Popular do Orçamento do município. Nesse espaço, em parceria com o Fórum Popular do Plano Diretor, debates vêm sendo realizados, pautados em pesquisas orçamentárias e urbanísticas sobre a implementação dos Jogos Panamericanos em 2007, na cidade do Rio de Janeiro. Seus resultados demonstram a implementação de um projeto de desenvolvimento da cidade empresa, utilizando parcerias privadas, e desviando recursos das áreas sociais para o beneficiamento dessas parcerias. 


Com a realização dos Jogos em 2007, vamos intensificar as ações junto com o Comitê Social do PAN (CSP), já que este será um ano decisivo para as ações deste trabalho. Nele pretendemos: avançar no combate às privatizações de áreas públicas em nome do Pan; lutar contra as remoções de comunidades vizinhas aos locais de competição patrocinadas pela iniciativa privada e pela Prefeitura; pressionar para que as ações da Agenda Social sejam executadas; acompanhar e divulgar os elevados gastos para preparação dos jogos, em contraste com os gastos com prioridades sociais. 


Fazem parte deste Comitê associações de moradores de comunidades ameaçadas de remoção, centros acadêmicos que estudam impactos de grandes eventos nas cidades, esportistas e entidades da sociedade civil preocupadas com a cidade que herdaremos após os Jogos.

OBJETIVOS 

Desenvolver uma visão crítica sobre o orçamento público como instrumento através do qual as políticas das instituições financeiras multilaterais se materializam. 

Expor publicamente os custos humanos, sociais, ecológicos e políticos que as dívidas financeiras causam e sua vinculação com as políticas das instituições financeiras multilaterais.

 

Projeto 2.2: Comércio e Projetos de Integração Regional 

Nesta nova etapa que vive a América Latina, em que os movimentos sociais conseguiram criar as condições para a paralisação, pelo menos momentaneamente, da ALCA e de alguns tratados bilaterais (como o dos Países Andinos com os EUA), ao mesmo tempo em que alguns governos, como o da Bolívia e da Venezuela, têm impulsionado políticas de integração no continente (ALBA e Tratado de Comércio dos Povos - TCP), as redes e campanhas continentais estão cada vez mais envolvidas na construção de políticas alternativas de integração regional.  

O Pacs trabalhará com os movimentos sociais pelo questionamento do modelo de desenvolvimento presente nos chamados tratados de livre comércio, na perspectiva de que esse modelo inviabiliza o projeto soberano e autônomo de desenvolvimento dos países do Sul. Para a construção de um comércio internacional justo, a integração com autonomia dos povos e países do Sul (África, Ásia e América Latina) é condição indispensável. Esta formulação não é diferente de formulações anteriores do Pacs a respeito deste tema. 

A inovação neste próximo qüinqüênio estará nas atividades e modos de ação que projetamos adotar e na eficácia que visamos obter deste processo, principalmente no sentido de que as propostas formuladas pelas organizações sociais sejam consideradas como propostas alternativas concretas ao modelo de desenvolvimento excludente em que estamos. A fase agora é de construir propostas e seguir também com os protestos quando estes forem necessários.

OBJETIVOS

Elaborar e difundir uma visão crítica sobre os tratados de livre comércio e o processo de integração em curso na América Latina. 

Elaborar e difundir propostas alternativas, principalmente na área de finanças internacionais, para a construção de um processo de integração regional e comércio centrados no desenvolvimento social e humano.

Projeto 2.3: Práticas Inovadoras de Poder 

O eixo central deste programa é a problemática de políticas emancipatórias de desenvolvimento. Por isso, reorganizamos algumas frentes de nosso trabalho em um projeto que lide diretamente com práticas inovadoras de poder que questionem a forma como ele está manifesto e dêem um conteúdo empoderador às populações envolvidas. 

Nos próximos anos, o Pacs pretende apoiar o fortalecimento de espaços que questionem a “ordem estabelecida”, como as dinâmicas do FSM e as APs. Neles, colaborar na construção de alternativas ao conjunto de temas trabalhados neste qüinqüenal. Desejamos contribuir para que as Assembléias Populares se tornem pólos irradiadores sempre mais abrangentes de educação para a participação cidadã e de produção de propostas orientadas para o Brasil que queremos. Da mesma forma, o Pacs pretende contribuir para que o FSM seja um pólo irradiador do conceito e da prática de uma globalização fundada em relações de cooperação, de respeito à diversidade, de fraternidade e de sustentabilidade. 

As atividades do Pacs orientadas para o empoderamento econômico dos atores sociais também fazem parte deste projeto, pois trabalham alternativas inovadoras de poder econômico articuladas na forma de redes, fóruns e cadeias produtivas, na forma de uniões regionais (Cone Sul, América do Sul) fundadas na cooperação solidária e fraterna entre os povos, assim como na ação por uma outra globalização. As ações do Pacs na Rede Brasileira de Socioeconomia Solidária, no Fórum Brasileiro de Economia Solidária e na Aliança por uma Economia Responsável, Plural e Solidária (ALOE-PSES) fazem parte deste projeto.

 OBJETIVO

Colaborar para a consolidação de espaços de participação popular e debate de propostas alternativas cujo centro seja a horizontalidade do poder, a escuta e o diálogo como instrumentos educativos de formação política, e a gestão participativa do ecodesenvolvimento.  

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