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 Atualizada em 26.06.08

 

O PACS é uma organização sem fins lucrativos, criada em 1986, dedicada ao Desenvolvimento Solidário que trabalha com pesquisa socioeconômica e educação e tem sede no Rio de Janeiro. A proposta do PACS é colocar o trabalho e a criatividade de sua equipe a serviço dos movimentos sociais, das entidades eclesiais, dos 

 

 

 

governos populares, dos grupos de produção associada (cooperativas, empresas autogestionárias, associações, grupos informais e escolas de trabalhadores), das escolas públicas e de outras organizações de desenvolvimento solidário na tentativa de pensar a economia de forma diferente e de dar um outro rumo ao nosso sistema sócio-econômico.

 

    

 

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Nº 21 - Abril / Junho 2008

Desenvolvimento - Para quê? Para quem?

Marcos Arruda*

Impactos da Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA) sobre a vida de milhares de famílias de pescadores na Baía de Sepetiba com a cumplicidade do BNDES e do Governo Federal; ação cidadã de monitoramento e incidência sobre o BNDES e suas políticas; luta por melhores condições de vida e trabalho na Zona Oeste do Rio de Janeiro; arranjos produtivos locais na Zona Oeste, no espaço compartilhado da Rede de Socioeconomia Solidária da ZO; crítica ao modelo dominante de desenvolvimento: todos estes assuntos constituem campos de atividade do Pacs no momento atual e são examinados neste número do Informativo PACS. Eles têm um denominador comum: a busca de caminhos alternativos de desenvolvimento, que tenham como objetivo a satisfação das necessidades e o desabrochar dos potenciais de cada pessoa, comunidade e povo. 

Sandra Quintela esboça os principais efeitos de um projeto de Pólo Siderúrgico, liderado pela CSA, que é um consórcio dominado pela transnacional alemã ThyssenKrupp, tendo com aliada a Vale. Um projeto cuja fachada é de progresso, pois trata da produção de aço para exportar com valor agregado o minério brasileiro. O artigo mostra que ele está sendo fator de devastação de uma área de conservação natural, incide em graves irregularidades laborais e está pondo em grave risco o trabalho e a sobrevivência de mais de 8 mil famílias de trabalhadores da pesca. Márcia Shoo entrevista o pescador Luiz Carlos, que dá um testemunho vivo do drama vivido pelas comunidades populares de Sepetiba. O PACS, juntamente com a Fundação Rosa Luxemburgo, levou estas denúncias a um fórum de fundações alemãs de cooperação internacional em Frankfurt e, junto com representantes dos pescadores e do movimento ecológico da região, ao Tribunal Permanente dos Povos, reunido em Lima, Peru, em maio de 2008. 

Carlos Tautz mostra como o Estado brasileiro está modelado pelo modo de desenvolvimento concentrador, focado nos lucros e não nas necessidades humanas. Tautz menciona o BNDES como principal vetor de financiamento de longo prazo, que prioriza crédito para grandes empresas, inclusive estrangeiras, e para setores e atividades altamente concentradoras de capital, usando sobretudo recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). Tautz acena para a Plataforma BNDES, da sociedade civil, como um programa cidadão que questiona e pressiona o banco no sentido de uma inversão de prioridades e da plena transparência como obrigação constitucional, não somente porque os recursos do BNDES são públicos, mas também por causa do amplo impacto das suas políticas creditícias na configuração do modo de desenvolvimento do Brasil. 

Leonardo dos Santos discorre sobre a história da Zona Oeste da cidade do Rio de Janeiro, território preferencial do trabalho de desenvolvimento autogestionário do PACS junto a comunidades, cooperativas e associações de trabalhadoras/es. Indica os fatores que hoje atuam para atrair governos e empresas, inclusive estrangeiras, a implantar pólos de atividade industrial na região, contribuindo para seu desenvolvimento econômico. Questiona o fato de tais projetos terem o caráter de enclaves, desconhecendo a realidade social e natural da Região e gerando uma crescente dívida social e ecológica. Tendem, pois, a beneficiar atores externos em prejuízo das comunidades locais e do meio natural. O artigo conclui com a menção da resistência da população local a este modelo e a busca de caminhos alternativos para o autêntico desenvolvimento socioeconômico e humano da Zona Oeste. 

Robson Patrocínio conta como nasceu e se desenvolve a Rede de Socioeconomia Solidária da Zona Oeste, uma articulação popular que constrói algo mais do que crítica e denúncia – novas relações sociais de produção e de intercâmbio, fundadas nos valores da cooperação e da solidariedade. 

Ana Agostino nos convida a olhar criticamente o modo de desenvolvimento dominante no Ocidente capitalista e compreender que ele tem sido marcado pelo aprofundamento das desigualdades e da alienação, e se sustenta no mito do crescimento ilimitado da produção e do consumo de bens materiais. A tese de Ana é que o próprio desenvolvimento é o problema, sendo ele o vetor dos mitos do crescimento, da produção, do consumo e da busca desenfreada de lucros. Ela contrasta tal paradigma com o do “bem viver”, da vida humana com dignidade. A nosso ver, o equívoco não está no termo desenvolvimento, que por definição tem a ver com o desdobramento da consciência e dos potenciais inerentes ao indivíduo ou à coletividade humana – fundamento do processo evolutivo que constitui a história da vida e da nossa espécie. Está, sim, em identificá-lo com a acumulação e o crescimento ilimitado da produção e do consumo de bens materiais e à busca incessante do máximo lucro por atores privados. Para o PACS, o desenvolvimento econômico e tecnológico só tem sentido se está a serviço do desenvolvimento humano e social.

* Socioeconomista do Pacs.

 

 


 


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