Eixos de Trabalho

As ações de educação popular, incidência política, pesquisa e assessoria do Instituto Pacs se organizam em três eixos. Conheça abaixo cada um deles:

 1. Críticas e alternativas ao modelo de desenvolvimento

A crítica às arquiteturas financeiras globais que sustentam o modelo hegemônico de desenvolvimento global – injusto e centrado no lucro – é uma tônica do trabalho do Instituto Pacs desde o seu surgimento, em 1986. Nessa esteira, o Instituto busca rastrear os vínculos entre megaeventos esportivos, megaempreendimentos produtivos e a conexão de ambos com o modelo socioeconômico de desenvolvimento capitalista estruturado sob o patriarcado e o racismo.

A articulação se dá a nível local, nacional, regional e global na conformação de redes de atingidas e de atingidos por transnacionais e por megaprojetos; ou na proposição de análises e de massa crítica frente aos tratados, acordos comerciais e conformações legais do mercado financeiro que estão a serviço da continuidade e da expansão do capitalismo.

Uma das expressões do trabalho neste eixo é a atuação do Pacs, desde 2005, frente aos megaeventos – Pan, Copa e Olimpíadas – realizados no Brasil. O acompanhamento dos Comitês Popular do Pan e Copa e Olimpíadas marca o trabalho do Instituto no período recente.

A articulação de atingidas e atingidos por megaprojetos, produzindo diagnósticos, relatórios, cartografias e provocando incidência – desde os territórios – junto aos centros de poder, também orienta esta linha de ação. A partir desta perspectiva destacam-se as articulações historicamente construídas com: Rede Jubileu Sul América e Brasil, Articulação Internacional das Atingidas e Atingidos pela Vale, Rede Brasileira de Justiça Ambiental, dentre outras.

Em âmbito local, destaca-se o processo de resistência às violações de direitos cometidas no contexto da operação da Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA), instalada na Zona Oeste do Rio de Janeiro, em 2007.

Quatro linhas se articulam nessa linha programática: a) Empresas transnacionais, impactos socioambientais e relações com o Estado; b) Megaeventos esportivos e impactos sobre os territórios; c)Concentração de Riqueza, integração regional e Economia política internacional; d) Dívida.

2. Mulheres, economia e a luta pelo comum

O Pacs desenvolve trabalho sistemático no campo da Economia Política Feminista. Impulsionada através de cursos de formação, oficinas, apoio ao fortalecimento de agendas e das lutas das mulheres nos temas da produção e reprodução da vida, essa frente é hoje um dos principais eixos de atuação da instituição. Marcadas pelo protagonismo do feminismo comunitário, as ações do Instituto Pacs nesse campo apontam para a busca por alternativas ao modelo de desenvolvimento hegemônico. A construção de estratégias parte dos olhares feministas sobre os territórios, na defesa do bem comum, na busca cotidiana de resistir e recriar as territorialidades a partir do bem viver e na construção de alternativas autônomas e locais frente ao machismo, ao patriarcado, ao racismo e ao capitalismo.

O trabalho de assessoria às experiências agroecológicas e solidárias no meio urbano, as formações com base na educação popular feminista e autogestionária, os processos de produção de conhecimento e de articulação política de base cartográfica, são alguns dos exemplos que corporificam o trabalho do Pacs nessa frente.

Destaca-se o acompanhamento de feiras agroecológicas e solidárias da cidade do Rio de Janeiro, a realização do Curso Mulheres e Economia  (que já está na 18ª edição) e a composição de articulações como a Rede Carioca de Agricultura Urbana, a Rede de Educadores Populares em Economia Solidária, a Articulação Nacional de Agroecologia, a Rede Diálogos em Humanidade, e a Articulação Mulheres e Grandes Projetos.

Quatro linhas se articulam neste eixo de trabalho: a) Feminismo Comunitário, Bem Viver e Bens Comuns; b) Impactos Socioambientais a partir dos olhares das mulheres, c) Agroecologia e Soberania Alimentar, d) Economia Solidária e Feminista.

3.  Fortalecimento Institucional

Desde sua criação, no período da redemocratização, pós ditadura civil-militar, o Pacs busca ampliar a participação em redes locais, regionais e globais; e fortalecer a atuação nestes três níveis. Ao longo de mais de 30 anos de (re)existência, enfrentamos desafios externos, com momentos  de escassez de financiamento; e internos no sentido da consolidação dos processos de autogestão da organização, de valorização da equipe e do estabelecimento de fluxos institucionais de trabalho e de comunicação.

Considerando que o Pacs tem guiado seu trabalho para o fortalecimento dos sujeitos sociais nas dimensões local, nacional e internacional, por meio da educação e da organização popular, da pesquisa, da crítica e da incidência, buscando a construção cotidiana de práticas e políticas alternativas que viabilizem relações emancipadoras, a busca pelo fortalecimento institucional se faz prioridade.

Atualmente, o Pacs conta com uma Coordenação Colegiada, formada três por mulheres. A aposta na horizontalidade, no protagonismo das mulheres, na partilha de poder, coloca o Instituto frente ao desafio constante de buscar garantir sustentabilidade e autonomia financeira e política, ampliar o diálogo e as fontes de financiamento e de solidariedade, para garantir não somente a sobrevivência da instituição, mas também das redes e das articulações que o Instituto encampa.

Três linhas se articulam neste eixo de trabalho: a) Autogestão interna; b) Sustentabilidade e autonomia administrativo-financeira, c) Comunicação e educação popular.