
Neste dia 28 de julho de 2010 ocorre uma grande manifestação no Haiti pela retirada das tropas, em alusão ao ano de 1915, quando houve a primeira ocupação estadunidense no Haiti.
Aqui, no Brasil, movimentos e organizações sociais se somam a essa atividade. E o objetivo é exigir da ONU e do Governo Brasileiro a imediata retirada das tropas militares do Haiti, o respeito a soberania e autodeterminação daquele povo. Afinal, a luta do povo haitiano é também a nossa luta! No Rio de Janeiro, manifestantes entregaram uma carta (abaixo) à representação da ONU. Além de irem ao Itamaraty, também farão panfletagem na Central do Brasil às 16h.
Rio de Janeiro, 28 de julho de 2010
Ao Centro de Informações das Nações Unidas
Ao Conselho de Segurança da ONU
Prezados Senhores:
Há seis meses, o mundo assistia estarrecido à destruição de parte do Haiti em decorrência de um grave terremoto. Hoje, a situação ainda é muito precária. A população sofre nas ruas. Faltam condições mínimas de sobrevivência. As forças humanitárias do exército brasileiro não estão lá para reconstruir o país, mas para ajudar a manter o grau de exploração e submissão de um povo juntamente com outros países na “missão Humanitária” (MINUSTAR).
O Haiti é um dos países mais pobres do mundo. A população pede o fim da ocupação. Falta água. Não há redes de esgotos e o sistema de saneamento é precário. O governo René Préval é sustentado politicamente pelas forças armadas brasileiras, que ocuparam o território em 2004. Mas a história de ataques e ocupações no país é longa, data de 1915, quando houve a primeira ocupação Yanque. Explica-se tamanha intervenção, entre outros, por ser um grande espaço para exploração de mão-de-obra barata.
Em 12 de janeiro de 2010, o terremoto que se abateu sobre o país, destruindo casas, espaços públicos e deixando milhões de pessoas desabrigadas e mortas, escancarou a destruição de uma população: em parte pela tragédia natural, mas principalmente pela ingerência das forças imperialistas, que negaram aos haitianos a possibilidade de decidir os rumos de seu país.
Decorrido o tempo, é preciso dizer: o processo de reconstrução não se deu. Segundo dados dos organismos internacionais, cerca de 1,5 milhão de pessoas ficaram desabrigadas em decorrência da tragédia. Dessas, apenas 25 mil conseguiram casas. O restante continua nas ruas, em barracas de lona, em meio aos entulhos e ao lixo produzido pelos escombros. Vale ressaltar que os escombros geraram 20 milhões de metros cúbicos de entulho, sendo que nem 10% do total foram recolhidos até o momento.
Os dados do governo haitiano indicam que seriam necessários US$ 11,5 bilhões e seis anos para reconstruir o país. Até o momento, foram arrecadados US$ 5 bilhões. Vale ressaltar também que esse valor é bem menor do que os capitalistas arrecadaram em poucos meses para salvar os bancos e as grandes empresas, na crise de em 2009, ou seja, US$ 24 trilhões.
O Brasil e a Venezuela foram os únicos a contribuírem. Mas o gasto do governo Lula com as tropas é muito maior do que a ajuda para a reconstrução. Hoje os acampamentos são organizados e mantidos pelos próprios moradores.
O governo brasileiro deveria retirar os soldados e enviar pedreiros, médicos, enfermeiros, engenheiros ou outros civis que pudessem ajudar o país, de acordo com a decisão e a necessidade dos trabalhadores haitianos. O mesmo tipo de ajuda deveria ser encaminhado pela ONU e os demais países. Contudo o que prima é a necessidade de ajudar o imperialismo a manter suas “ilhas” de mão-de-obra semi-escrava.
A população, apesar das dificuldades, não assiste passivamente. O aprofundamento da experiência com o presidente René Preval e com as forças armadas brasileiras que o sustentam, bem como, a falta de condições e a indiferença capitalista com a reconstrução do país têm promovido mobilizações e protestos.
Assinam: Nova Central/Conlutas-CSP, Rede Jubileu Sul, Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Central dos Movimentos Populares e Instituto Políticas Alternativas para o Cone Sul (PACS).
