O amor nasce do entendimento de que não podemos ser plenamente nós próprios sem o Outro. Amar pressupõe, portanto, plena aceitação e aprendizado. Exige de nós acolhimento e cuidado com o Outro como autêntico Outro, e não como projeção dos meus desejos e caprichos. Um cuidado que não se limita ao Outro humano, mas abrange a Terra e o Cosmos. Sem a práxis amorosa, toda ideologia, toda filosofia e toda retórica são vãs.
Economia, em grego, quer dizer gestão da casa. Todos nós precisamos gerir e cuidar de cada uma das casas que habitamos, bem como aspirar ao desenvolvimento integral dos nossos potenciais e atributos individuais e coletivos.
O foco da economia de mercado no acúmulo de bens materiais é um equívoco do ponto de vista de desenvolvimento humano. O objetivo último da atividade econômica é o mais-ser (Teilhard de Chardin) e, para esta o bem-viver é apenas um meio. Se a economia solidária é a construção do bem-viver para todos, a educação solidária é a construção permanente do mais-ser, do impulso permanente de ir sempre mais além.
É nesse sentido que o índice Felicidade Interna Bruta (FIB), criado no Butão e crescentemente difundido e ajustado à realidade cultural de outros países, oferece um cenário possível para uma economia do amor, pois toma como referência o ser humano – pessoa e sociedade – e o sentido maior da sua existência, a felicidade. A chave é que um índice abrangente de felicidade, que inclui a satisfação das necessidades básicas e um conjunto de outros campos de vida pessoal e social do ser humano, sirva de referência para a definição de metas para o desenvolvimento econômico e tecnológico. A economia e o progresso técnico e científico, assim, são convertidos em meios a serviço do desenvolvimento humano e social.
Saiba mais pelo Massa Crítica nº 47.
