Quem paga a conta da Copa 2014 e das Olimpíadas 2016? Este é o primeiro questionamento feito por este Massa Crítica, uma análise de conjutura sobre os fatos da atualidade nacional e internacional.
Estão previstos para os próximos anos no Brasil, e para a cidade do Rio de Janeiro em particular, uma série de megaeventos esportivos: os Jogos Mundiais Militares de 2011, a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016.
Esses espetáculos são vendidos mundialmente como geradores de benefícios econômicos e públicos às cidades-sede. Na retórica de agentes governamentais, empresas de comunicação e das aristo/burocracias esportivas internacionais, como o COI e a FIFA, os eventos constituem oportunidades históricas para a transformação das cidades e para qualidade de vida de seus habitantes.
Os promotores da política de desenvolvimento associada à realização de megaeventos invocam sempre as Olimpíadas de Barcelona, de 1992, como modelo dessas virtudes. De fato, as experiências internacionais demonstram que o “efeito Barcelona” é uma exceção, e não a regra do que se sucede como as cidades receptoras desses grandes eventos. O alto endividamento público, remoções de comunidades, benefícios desiguais, corrupção, superfaturamento, praças esportivas inutilizadas, militarização do espaço urbano e no todo, promessas não cumpridas, compõem uma realidade que não aparece nas propagandas.
Os impactos públicos se sobrepõem historicamente aos ditos “legados olímpicos”, temporários e apropriados por uma minoria. A recente experiência dos Jogos Pan Americanos de 2007, no Rio de Janeiro, é um exemplo do fracasso social e urbano da associação feita entre megaeventos e uma política de desenvolvimento democrática e sustentável. É urgente o questionamento na sociedade brasileira dessa lógica irresponsável que cria expectativas em parte da população quanto a mudanças em seu cotidiano no espaço urbano.
Quem se beneficia e quem perde na conversão desses eventos em “prioridades públicas”? Os investimentos estão voltados para solucionar a dívida social existente com as populações marginalizadas nas cidades ou atender grandes empresas? Os gastos comprometem o orçamento público com investimentos sociais? O que será feito dos estádios após as competições?
O objetivo deste Massa Crítica , escrito por Alessandro Biazzi, é levantar esse debate à população, além de informar sobre os impactos sociais e das dívidas, a partir das últimas experiências internacionais de megaeventos esportivos.
