Temos lido e ouvido tanto sobre as catástrofes que já começaram a acontecer pelo mundo afora, resultantes do aquecimento global. E que a escalada do aquecimento tem entre seus fatores a emissão de gases-estufa de duas fontes principais: combustíveis fósseis e emissões industriais. Assim, mesmo, o Homo Sapiens Stultus continua sua procura febril por novas jazidas de petróleo e gás.
Está em progressão a consciência de que o Ocidente capitalista é insustentável, justamente porque só pode sobreviver crescendo. Como seu objetivo é o lucro, que vem do consumo dos produtos que coloca nos mercados, ele precisa persuadir pessoas, comunidades, nações da ilusão de que elas nunca têm o suficiente. É o mito da ESCASSEZ. E usam o bombardeio da propaganda para nos convencer a consumir sempre mais. Se isto se faz às custas da depredação de ecossistemas, do esgotamento de reservas naturais, da inundação da Terra, do ar, dos rios e oceanos pelo lixo de todo tipo, não importa para esse sistema. Assim, a sede ilimitada de fontes de energia – sobretudo as não-renováveis - faz parte integrante do padrão de produção e consumo do capitalismo mundial.
Três empresas inglesas exploradoras de petróleo e gás estão pesquisando as bacias norte e sul das Ilhas Malvinas. Estas ilhas se situam na plataforma continental da Argentina. Junto com a Bacia da Nova Escócia, dão continuidade geológica à Patagônia. Em 1816, quando se libertou do jugo colonial espanhol, a Argentina proclamou sua soberania também sobre as Ilhas Malvinas. Em 1833, porém, a Inglaterra lançou um repto argumentando que as ilhas pertenciam ao quinhão colonial da coroa britânica. Em 1982, a Argentina tentou ocupar fisicamente as Ilhas, e foi derrotada numa guerra intensa, que durou dois meses e custou a vida de 649 argentinos e 255 ingleses. Desde o fim da Idade Média, na barbárie do capital sacrificam-se vidas em troca de controle sobre a linha imaginária chamada fronteira. Controle inclusive sobre as riquezas materiais que ela contém. E essa loucura continua pelo século 21 adentro.
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