Assembleia de trabalhadoras rurais de Canaã dos Carajás promove espaço de formação sobre luta pela terra

Com o objetivo de promover um espaço de formação sobre sobre o papel das mulheres na luta pela terra e contra a mineração, trabalhadoras rurais vinculadas ao Sindicato de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Canaã dos Carajás (PA) iniciaram um processo de construção de agenda de lutas que fortalecem sua atuação dentro dos assentamentos e acampamentos. A assembleia aconteceu nos dias 1 e 2 de dezembro e contou com uma programação de místicas, rodas de conversa, visitas de campo e socialização. A atividade foi organizada pela Comissão Pastoral da Terra de Marabá e contou com a presença da Justiça Nos Trilhos, organização que atua na resistência das violações de direitos cometidas ao longo do corredor Carajás .

Foto: Marina Praça

 

Com cerca de 50 mulheres de diversas idades, o espaço iniciou um processo de sensibilização na temática da luta das mulheres no território. Em um contexto de acampamentos e assentamentos da reforma agrária, as mulheres de Canaã dos Carajás, município localizado no sudeste do Pará, lidam com disputas pela terra tanto com a mineradora Vale, presente no local, quanto com os latifundiários da região, em um combate à mineração que envolve também a questão fundiária.

O município vizinho, Paraupebas, abriga ainda a Floresta Nacional dos Carajás, uma área de conservação ambiental administrada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade em parceria com a Vale.  O local possui o Parque Zoobotâncio Vale, além de um dos maiores complexos minerais do mundo, o Complexo Mineral de Carajás, e ainda uma cidade mineira altamente desenvolvida no interior de um parque nacional. Esse tipo de modelo de desenvolvimento impacta diretamente a população da região, além do meio ambiente e da diversidade de formas de vida presentes na área.

Foto: Marina Praça

 

 

 

O Instituto Pacs também estava presente, representado pela educadora popular e coordenadora Marina Praça, que fez uma fala relacionada ao cotidiano das mulheres que vivem Nesses contextos. “As mulheres são muito fortes, potentes e têm um poder muito grande, porque são elas que vão pra roça e ao mesmo tempo voltam pra casa, fazem comida e cuidam das casas, e como esse trabalho, para além do trabalho na roça, é invisibilizado e colocado num segundo plano”, relata.

Foto: Marina Praça

Segundo Marina, os desafios colocados para o protagonismo das mulheres na luta em defesa dos territórios se dão tanto no espaço público quanto no privado.  “São mulheres que se aproximam de um debate que tem toda a questão da opressão dentro de casa, do assentamento e da estrutura social. Neste sentido, o processo de formação, educação popular coletiva é muito fortalecedor”, complementa.

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