Mulheres da Articulação de Agroecologia do Rio de Janeiro preparam plenária estadual

Entre os dias 19 e 20 de julho, cerca de 40 mulheres do município do Rio de Janeiro, Zona Metropolitana, região Serramar e região Norte, reuniram-se, em Magé, na região Piabetá. O Encontro, organizado pelo Grupo de Trabalho Mulheres da Articulação de Agroecologia do Rio de Janeiro, teve o objetivo de Iniciar um diagnóstico econômico das mulheres agricultoras das 4 regiões do Estado e planejar a plenária Mulheres e Agroecologia que acontece em novembro deste ano.

A agricultora Juliana Diniz, integrante da Rede que recepcionou o encontro em seu sítio, ressaltou a importância dos momentos de partilha entre mulheres: “Onde tem conversa, tem papo, tem harmonia. Nós mulheres precisamos ter independência, para ter nossa própria agricultura. Ter sabedoria, não só para nós, mas passar para as nossas companheiras, dividindo as receitas e outros saberes”, defendeu.

Josi dos Santos da Silva, moradora do assentamento Zumbi dos Palmares, na região norte do Rio de Janeiro, começou a trajetória na agroecologia há 17 anos. Envolvida no cuidado com as filhas, a agricultora começou o cultivo como forma de garantir uma alimentação saudável e auxiliar no tratamento de doenças das crias. “Ninguém faz a agroecologia só para si, mas para passar aos outros. Agroecologia me fez ver o mundo diferente”, lembrou.

Durante os dois dias de encontro, a cozinha do sítio de Juju, como é conhecida entre as companheiras, tornou-se ainda mais coletiva. Na cozinha Colher de Pau – certificada como espaço de produção agroecológica – foram preparadas as refeições à base de aipim, cará, inhame, batata cenoura além de bolos, cacau, manteiga feitos através de produtos adquiridos localmente. Na noite da quinta-feira (19), as participantes deliciaram-se com caldos, curau e canjica durante a festa Julina organizada coletivamente.

Aline Lima, coordenadora do Instituto Pacs e uma das fundadoras do GT, explica que o encontro também foi pensado para acolher as novas integrantes do grupo. “Muitas estão ali no quintal ou na horta comuitária ou em suas cozinhas produzindo e não têm ideia que em outras regiões do Rio de Janeiro, outras mulheres estão fazendo essa revolução ao mesmo tempo barulhenta e silenciosa”, disse.

Os desafios são comuns às tantas regiões presentes no encontro: a invisibilidade do trbalho das mulheres, o não reconhecimento da agroecologia urbana enquanto atividade produtiva e o espaço das cidades e zona metropolitanas como espaços de produção. A falta de água e a especulação imobiliária também foram problemas destacados.

Por outro lado, o reconhecimento da importância do protagonismo das mulheres na organização política e produtiva agroecológica vem crescendo cada vez mais, destacaram muitas das participantes

“As mulheres, principalmente as negras, são guardiãs dos saberes ancestrais. Guardam no corpo as marcas do silenciamento e das múltiplas opressões. Por isso, devem estar na linha de frente da construção de um outro modelo de sociedade e estão”, defendeu Aline.

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