Pacs participa de espaços sobre agroecologia, direito à Cidade e resistências à mineração no IV Encontro Nacional de Agroecologia

Aconteceu de 31 de maio a 3 de junho, em Belo Horizonte, o IV Encontro Nacional de Agroecologia (ENA). Organizado pela Articulação Nacional de Agroecologia e grupos, entidades, movimentos e articulações de vários estados brasileiros e do distrito federal o encontro contou com a participação de cerca de duas mil pessoas de todas as regiões do país. Durante os três dias de atividades, o Instituto Pacs participou de espaços de discussão sobre agroecologia, direito à cidade e resistências à mineração.

No dia 2 de junho, a roda de conversa Agroecologia, direito à Cidade e resistência urbana reuniu integrantes de movimentos sociais da luta por moradia, da agroecologia de várias regiões do Brasil e do mundo. Rud Rafael, do MTST,  falou do surgimento da Frente de Resistência Urbana e defendeu a articulação entre as ocupações e as pautas da agroecologia.

“O modelo de cidade tenta eliminar as identidades diversas e coletivas. Os processos das ocupações são formas de fortalecimento de uma identidade coletiva, na construção de outras lógicas. E num caminho que vai junto com a agroecologia, não precisamos estar no campo ou nas florestas para produzir alimentos.  A luta não é só o direito à moradia. É o direito à cidade e à Morar e Plantar”, defendeu.

Aline Lima, coordenadora do Instituto Pacs e integrante da Rede Carioca de Agricultura Urbana (RCau), um dos grandes entraves à agroecologia  é o próprio reconhecimento do espaço urbano enquanto espaço também de produção agrícola. Ela explica que o Plano Diretor do Município do Rio de Janeiro, por exemplo, não reconhece as agricultoras e agricultores da cidade.

“Falar do Direito à cidade para nós  é  rediscutir o papel das mulheres nas comunidades e a ocupação das mulheres nos espaços públicos. Para tal, precisamos reconhecer o rosto da resistência urbana  que é o rosto de uma mulher negra”, disse. Aline destacou ainda que no contexto dos megaeventos, a especulação imobiliária torna-se a grande ameaça à prática da agricultura urbana.

“Dona Rita, uma agricultora da Zona Oeste do Rio, foi uma atingida por esse modelo excludente da cidade vista como cidade maravilhosa na mídia e palco dos grandes espetáculos.  Quando Dona Rita perde seu lugar de moradia por conta das remoções dos megaeventos, perde também sua identidade, e seu lugar produtivo”, lembra.

 

Resistência à mineração

Durante todo o Encontro, o espaço permanente de enfrentamento à mineração pela agroecologia discutiu os impactos da cadeia mineradora nas comunidades tradicionais.  A denúncia do “sequestro” das águas pelos empreendimentos envolvidos no beneficiamento do minério foi um dos destaques.

A Carta Manifesto assinada por movimentos sociais e articulações envolvidas com a defesa dos direitos das comunidades tradicionais e populações atingidas pela mineração, lançada no Encontro, destacou ainda os impactos e violações no direito à saúde, ao trabalho e cobrou respostas aos crimes ambientais envolvendo os megaempreendimentos.

Segundo o documento, a produção familiar e agroecológica fortalece os territórios impactados e oferece alternativas à lógica de exportação de matéria prima. “A agroecologia, pela sua perspectiva de valorização dos saberes locais, da qualidade ambiental, dos bens e recursos naturais (qualidade e quantidade) e da biodiversidade, tem a potencialidade de contribuir na revalorização dos territórios e das populações historicamente prejudicadas com os projetos de desenvolvimento”, destaca o documento.

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