Redes solidárias para construir o Bem Viver nos Territórios

Por Instituto Pacs com colaboração de Larissa Cabral

Em ocupações urbanas na luta por moradia, em cooperativas de mulheres, em quintais produtivos, em iniciativas autogestionadas de cultura, o bem viver se constrói no cotidiano, ao mesmo tempo em que se dão as construções sociopolíticas e econômicas rumo a uma nova sociedade. Para ajudar a promover redes de solidariedade entre os grupos autogestionados, o Instituto Pacs promoveu entre os dias 1º, 2 e 3 de dezembro, no Rio de Janeiro, a edição de 2017 do curso Autogestão, Bem Viver e Territórios.

Tendo em vista a importância das trocas de experiências, da articulação de redes de apoio mútuo e do aprofundamento do debate teórico-político, o curso reuniu participantes de 20 coletivos, movimentos, entidades e organizações de sete estados (Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Ceará Bahia, Pernambuco e Rio Grande do Sul).

A edição de 2017 (terceira) do curso de autogestão começou com um mutirão agroecológico, realizado nos quintais produtivos das agricultoras Fátima e Aldaci, na Colônia Juliano Moreira, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. A ideia dos mutirões é uma aposta política e metodológica da atuação do Pacs. Para promover a troca entre os grupos, a ideia é dar ênfase ao trabalho de produção e reprodução da vida nos quintas.

Plantamos uma árvore centenária na nossa vida hoje, que trouxe galhos de todos os lugares, saudou Aldaci. “Eu fiquei muito feliz porque vieram pessoas de várias regiões do país. Isso é bom pra gente ver que enquanto a gente está se reunindo aqui, tem gente se reunindo em outras partes do país. Se todas as instituições que vem aqui, fizessem isso a gente estaria em outro patamar. Então eu só tenho a agradecer”, ressaltou Fátima.

Confira as fotos do mutirão e dos demais dias de curso 

Curso Autogestão, Bem Viver e Territórios

 

Durante os outros dois dias, os/as participantes compartilharam saberes sobre potências e desafios do bem viver nos territórios por meio de discussões em grupo, trabalho corporal e construção de mapas de conceitos.

O trabalho em grupo apontou como as potencialidades do bem viver em alguns territórios ainda se coloca como desafios em outros. O diagnóstico reforçou a importância do trabalho em rede, das articulações, como forma de possibilitar os intercâmbios e ver como cada território consegue desenvolver suas potencialidades.

Uma iniciativa imediata de criação de redes de solidariedade foi a criação de uma “vaquinha” digital para ajudar a manter em funcionamento a Cooperativa Granja Julieta, Nossos Valores, formada por catadoras negras que coletam lixo em São Paulo. Saiba como ajudar aqui:

https://www.vakinha.com.br/vaquinha/catadoras-na-luta-contra-doria

 

Leia depoimentos de participantes do curso

Foi muito bom conhecer a agricultura e os quintais urbanos. Consegui fazer articulação com muita gente e trocar energia. Vamos levar muito do que vimos aqui para Recife. Só a organização popular pode pautar a mudança desse país, não tem outro caminho (Stilo – PE);

Acho que cada um conseguiu colocar aqui as experiências das suas organizações trazendo elementos de vivencias e práticas de formas diferentes de viver a vida (Cintia – SP);

Acho que foi bem importante isso de começar reconhecendo o território – mutirão. A maioria das vezes é sempre a formação dentro das salas de aula primeiro e depois tem a vivencia, ter feito ao contrário foi muito enriquecedor. (Claudinha – RS)

Quando a gente chega aqui e conhece a realidade isso com certeza traz uma vivência bem diferente. Voltamos para Minas Gerais agora com uma visão bem diferente. Aqui pudemos aprofundar em muitas questões que discutimos na Vila Barraló (Cássio e Nanan- MG);

Nunca existir ficou tão próximo de resistir. Foi fundamental poder encontrar aqui pessoas tão queridas e conhecer outras experiências (Joviano – MG);

Vou voltar para meu território querendo colocar em prática lá tudo o que eu vi aqui. Você acaba tendo uma força maior para seguir lutar. Então, eu só quero agradecer. Foi uma surpresa, um prazer, conhecer todo mundo que está aqui (Ilisiane – RS);

Eu trabalho no comércio informal – disputando com lojista, que atua como o grande empresariado – e também com a luta pela moradia. Uma experiência maravilhosa ver e rever gente militantes que são companheira(o)s na luta. Ver que a luta se renova. (Jô – PE);

Agora eu sei que não estou sozinha. Vocês são maravilhosos. Eu sei que muitos de nós aqui vamos morrer na luta, que não vamos ver o mundo que queremos construir. Mas, sei também que essa é uma luta que vale a pena (Mara – SP);

Queria muito agradecer pela experiência. Mesmo eu sendo nova – 22 anos – vou levar tudo o que eu vi aqui para a minha comunidade, o Quilombo do Campinho da Independência, na região Costa Verde-RJ (Ariane- Paraty/RJ);

 

Histórico do curso 

Em 2015, iniciamos o debate com “Autogestão e trabalho” – um espaço piloto, focado na relação de auto-organização solidária dos trabalhadores/as. No ano seguinte, o tema foi “Produção de viver, poder popular e autogestão nas cidades”. O ambiente de aprendizado coletivo nos levou a novos rumos, os quais aprofundamos este ano, quando discutimos “Autogestão, bem viver e territórios. Confira como foram as outras edições do curso.

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