Instituto Pacs apresenta pesquisa nacional sobre violações de direitos na produção do aço

Foram mais de 6 mil quilômetros rodados em 8 cidades visitadas. Objetivo é traçar um perfil dos impactos da siderurgia no Brasil

Uma atividade que transforma modos de vida tradicionais, afeta agricultura e pesca, toma terras, água e ar de localidades de várias partes do Brasil e outros países do sul global. Seus altos-fornos consumiram, somente em 2015, mais de 5,4 trilhões de litros d’água para fabricar 33,3 bilhões de toneladas de um produto que encheu nossos pulmões com mais de 58,8 bilhões de toneladas de dióxido de carbono (CO2). Em muitas cidades da Europa e da América do Norte, ninguém quer essas indústrias como vizinhas, mas no Brasil elas se multiplicaram com falsas promessas de emprego e desenvolvimento, violando direitos por onde se instalam.

Entre os meses de abril e julho de 2017, a equipe do Instituto Pacs visitou oito cidades atingidas pela indústria do aço no País. O resultado desse trabalho vai ser apresentado nesta quarta-feira (29/11), às 19h, na Casa Naara (Rua Teófilo Otoni, 134, sobrado, Centro, Rio de Janeiro). Além da Casa Naara, são parceiros/as na atividade de lançamento a Articulação Internacional dos Atingidos e Atingidas pela Vale, a Haveté Sustentabilidade e o Grupo de Estudos em Educação Ambiental desde el Sur (Geasur).

A pesquisa “Quintais e Usinas: o dia a dia de violações de direitos da produção de aço no Brasil” reúne reportagens, infográficos e depoimentos que traçam um perfil do que significa viver ao lado de siderúrgicas. A apresentação da pesquisa, divulgada em plataforma on-line, vai ser acompanhada de roda de conversa com Janaína Pinto (pesquisadora do Instituto Pacs), Karina Kato (professora do CPDA/UFRRJ) e Rodrigo Santos (professor do IFCS/UFRJ).

Além de atingidos/as pelas siderúrgicas, o Instituto Pacs conversou com membros do Ministério Público e da Defensoria Pública; acadêmicos e acadêmicas ligados/as à resistência a impactos socioambientais e ativistas da justiça ambiental. Foram percorridos mais de 6.150 km em visitas às seguintes cidades: Marabá (PA), Açailândia (MA), São Gonçalo do Amarante (CE), Sete Lagoas (MG), Ipatinga (MG), Vitória (ES), Volta Redonda (RJ) e o bairro carioca de Santa Cruz.

Separadas por milhares de quilômetros, essas comunidades compartilham histórias similares de impactos causados pelos “dragões de aço”, como uma atingida define essas indústrias, e potenciais de troca de experiência entre as resistências. Venha conhecer mais sobre essas histórias.

Convide amigos e amigas para a atividade:

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Três dados sobre por que os impactos da siderurgia são um problema sério

1)  A cadeia produtiva internacional da siderurgia concentra as etapas mais poluentes nos territórios empobrecidos e deixam o mínimo de retorno financeiro a quem vive nesses lugares. Em outras palavras, o “trabalho sujo” da produção do aço mundial é feito em lugares pobres, e pouco ou nada fica para os moradores, já que os lucros da empresa se concentram na multinacional que a mantém. Quase 80% de todo o aço bruto produzido no mundo é fabricado nos países BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul).

2) A pauta de exportações do aço brasileiro é baseada em produtos semiacabados. Quase metade de todo o aço vendido para fora do país é placa de aço. Essa etapa da produção requer maior quantidade de água. Ou seja, ao vender aço bruto, ou semibruto, para outros países, o Brasil está entregando aos compradores trilhões de litros de água. Em 2015, foram mais de 5,4 trilhões de litros d’água.

3) Bens comuns essenciais para a manutenção de atividades tradicionais, como a agricultura e a pesca, são tomados pela indústria do aço. Isso torna a terra, a água e o ar de muitas localidades como itens de cobiça das siderúrgicas, deixando rastros de destruição para as populações locais.

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