Por que uma biblioteca com o nome de Berta Cáceres?

Próxima segunda (06/11) o Instituto Pacs realiza sua Assembleia Anual de Sócias e Sócios e o Lançamento da Biblioteca Berta Cáceres. 

Você que nos acompanha há tanto tempo, em laços de lutas e afetos, é nosso/nossa convidado/convidada para os dois momentos.

A Assembleia acontece dia 06 de novembro, às 17h. Na sequência, haverá abertura oficial do novo escritório e será lançada a Biblioteca Berta Cáceres, em memória da militante hondurenha. A biblioteca virtual reúne mais de 30 anos de produção em educação popular do Instituto Pacs e a biblioteca física reúne livros e demais publicações de parceiros e parceiras.

Pedimos que, por gentileza, confirme participação por e-mail ou por telefone (21) 2210-2124, com Augusto Cesar.

Data e horários
06 de novembro de 2017
17h: Assembleia de sócias e sócios do Instituto Pacs
18h30: Lançamento da biblioteca virtual e física Berta Cáceres e abertura oficial do novo escritório

Conhece nosso novo endereço?
Instituto Políticas Alternativas para o Cone Sul
Avenida Henrique Valadares, 23, sala 504
Centro Rio de Janeiro (RJ)
CEP 20231-030

 

Por que uma biblioteca com o nome de Berta Cáceres?

por Instituto Pacs

Berta Cáceres, ou Bertita, como era chamada carinhosamente, foi uma lutadora feminista, revolucionária do povo indígena Lenca, em Honduras. A voz de Berta ecoou as vozes dos povos que resistem à destruição capitalista na defesa de seus territórios e das águas.

Bertita vivenciava e denunciava os retrocessos na garantia de direitos frente ao avanço da direita e seus projetos de morte na América Latina: grandes corporações transnacionais adentrando a cada dia por este solo sagrado, com a anuência dos Estados, expropriando vidas e sonhos. Corajosamente, gritou aos quatro ventos a relação entre a ofensiva extrativista com a crescente militarização dos territórios em Abya Yala, denominação que os povos originários deram ao nosso continente antes da invasão ibérica.

O grito de Berta nos alertava sempre que a violência que move a militarização nos territórios é também sexista e racista. E que a luta anticapitalista deve ser antipatriarcal, antirracista e anti-imperialista.

Firme na resistência ao golpe de Estado em Honduras, em 2009, Berta e os movimentos de base de quais participava denunciaram na resistência ao golpe de Estado em Honduras, em 2009, Berta denunciou a mão imperialista dos Estados Unidos e o avanço da militarização por toda região. No contexto pós-golpe fez denúncias sistemáticas sobre o avanço das diversas violações de direitos humanos, da criminalização dos movimentos populares, como sua organização, o Consejo Cívico de Organizaciones Populares e Indígenas de Honduras (COPINH); e, tragicamente, das violências políticas e extermínio de lutadores/as populares e ambientalistas, como o feminicídio político que ceifou sua vida. Berta foi assassinada no dia 3 de março de 2016, em sua casa, em La Esperanza. Lugar onde tantas outras Bertas são assassinadas todos os dias.

Berta foi e será, sempre, uma referência para todas e todos que lutam por uma América Latina livre e soberana. Luta que revela o árduo caminho a ser percorrido pelos nossos povos, pois a cada dia se aprofunda um cenário desolador de exploração e apropriação de nossos trabalhos, corpos e vidas, além de recursos e bens comuns.

Por todos os rincones do continente avança a renovada ofensiva de acumulação de capital e poder, com a imbricação entre poderosos atores corporativos e os Estados e um conservadorismo regressivo.

Lembrar Berta e sua luta é lembrar a mulher que ela era, e será em todas nós. É, acima de tudo, ressaltar que frente aos megaprojetos de morte, que avançam a cada dia sobre os territórios, levantam-se povos e comunidades em luta, espaços em que as mulheres desempenham um papel de protagonistas.

Homenageamos essa grande lutadora como expressão das histórias de tantas mulheres que lutam cotidianamente por uma vida com liberdade e autonomia. Aprendemos com Berta uma pedagogia rebelde de luta. Seguiremos multiplicando e cultivando suas sementes por toda América Latina.

Berta Vive! COPINH segue!

Para conhecer mais sobre a biografia de Berta e a luta do COPINH, visite:

http://bertacaceres.org/

http://copinhonduras.blogspot.com.br/

http://www.goldmanprize.org/recipient/berta-caceres/

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