Jovens demandam mais fiscalização da poluição ambiental e políticas de saúde em Santa Cruz

Membros do Coletivo Martha Trindade visitaram nesta quinta-feira (26/10) a Assembleia Legislativa do Estado do Rio (Alerj) e a Câmara Municipal do Rio para divulgar os resultados do relatório “Vigilância Popular em Saúde e Ambiente em áreas próximas de Complexos Siderúrgicos“. O estudo realizado por jovens de Santa Cruz e Piquiá de Baixo (MA) encontrou índices de poluição do ar até três vezes superiores do que recomenda a Organização Mundial da Saúde.

Pela manhã, o grupo foi recebido no gabinete dos deputados Marcelo Freixo e Eliomar Coelho, que ouviram as demandas sobre fiscalização ambiental e políticas de saúde em Santa Cruz. Depois da reunião, os jovens fizeram a entrega do documento nos gabinetes da deputada Lucinha e dos deputados Luiz Paulo e Flávio Serafini, com atuação em Santa Cruz. Cópias também foram protocoladas na Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro, no Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) e na Câmara Municipal.

À tarde, na Câmara Municipal, os relatórios foram entregues nos gabinetes dos vereadores David Miranda, Junior da Lucinha, Paulo Pinheiro, Mariele, Renato Cinco, Reimont e Tarcísio Motta.

Os jovens demandaram dos deputados que pressionem o órgão estadual responsável pelo monitoramento ambiental, o Instituto Estadual do Ambiente (Inea). Em âmbito municipal, o pedido é para que vereadores cobrem mais médicos especializados em Santa Cruz, onde tem sido cada vez mais recorrente o registro de moradores e moradoras com problemas respiratórios e de pele.

Até chegar à versão final do relatório, os jovens passaram mais de seis meses realizando medições com aparelhos simples e de basto custo, anotações, cálculos e análises de dados para monitorar a qualidade do ar de duas comunidades impactadas pela siderurgia: Santa Cruz, no Rio, e Piquiá de Baixo, bairro de Açailândia (MA).

 

Ouça o que disseram jovens e deputados sobre a reunião desta quinta-feira (26/10)

 

Sobre a poluição em Santa Cruz

A poluição em Santa Cruz ficou conhecida depois do episódio conhecido como Chuva de Prata, em 2010, em que material particulado da atividade siderúrgica se espalhou pela região da Reta João XXIII. Quem vive na região, porém, conta que a poeira mais fina continua invadindo as casas, causando problemas respiratórios, nos olhos e irritações na pele, entre outros problemas. A medição realizada pelos jovens em Santa Cruz é especialmente importante, pois investiga justamente esse tipo de poluição causado pela poeira fina.

O Instituto Pacs acompanha o caso da instalação da siderúrgica ThyssenKrupp Companhia Siderúrgica do Atlântico (TKCSA) em Santa Cruz desde 2010. Recentemente a empresa foi vendida para o grupo Ternium Brasil. É de conhecimento público que o órgão ambiental, que deveria ser o responsável direto de avaliação da qualidade do ar, terceiriza o serviço de monitoramento ambiental às próprias fontes poluidoras, como no caso da Ternium em Santa Cruz.


“Como o Inea pode garantir confiabilidade a dados gerados pelas próprias fontes poluidoras? É como entregar o cuidado das ovelhas a um lobo. O órgão precisa tornar público e com mais clareza as informações sobre o monitoramento da poluição em Santa Cruz”, argumenta Gabriel Strautman, coordenador-adjunto do Instituto Pacs.

Baixe o relatório entregue a deputados e vereadores:

http://www.pacs.org.br/files/2017/09/Relat%C3%B3rio-Final-Final.pdf

 

Saiba mais sobre a Vigilância Popular em Saúde

Pesquisa realizada por jovens de Santa Cruz e Piquiá encontra níveis de poluição acima do que recomenda a OMS

 

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