Dívida Pública pode fazer o Titanic de Temer/Meirelles afundar

por Marcos Arruda* 

O pior dos prognósticos está acontecendo.

Assim como a crise climática está sendo gestada dia a dia sem que a maioria dos países tome medidas radicais para preveni-la, os governantes e as classes ricas do Brasil, e também de bancos e corporações transnacionais, estão fabricando um novo abalo sísmico na vida do país.

A crise fiscal, que prejudica gravemente a capacidade de investimento do Estado, tem como principal mecanismo a dívida pública, explosiva desde os governos Geisel (1974-1978) e FHC (1994-2002). Lula e Dilma também se recusaram a fazer a AUDITORIA DA DÍVIDA, como previa a Constituição de 1988, e aumentaram a dívida pública durante seus mandatos. Em nome da redução da dívida pública que Collor, FHC e Temer/Meirelles têm dizimado com as privatizações o parque produtivo do Brasil, entregando empresas e conglomerados produtivos de bens e serviços ao capital privado, sobretudo estrangeiro.

Com os usurpadores Temer-Meirelles o peso da dívida pública, sobretudo interna, tem se agravado de forma trágica.

A Rede Jubileu Brasil e a Audiitoria Cidadã da Dívida** vêm pressionando os sucessivos governos a auditarem a dívida, para tornarem viável uma gestão responsável dos impostos arrecadados da maioria trabalhadora do país, transformando os impostos pagos em benefícios para a economia interna e para a sociedade, na forma de serviços públicos gratuitos e de qualidade, oportunidades de trabalho, infraestrutura, etc.

A aberrante PEC55 congelou as despesas com a gestão do Estado e os gastos sociais, deixando isentos deste corte os gastos com os juros da dívida pública. É a PEC dos banqueiros e dos especuladores.

Há anos o orçamento da União vem sendo sangrado por gastos financeiros com a dívida que alcançam R$ 600 a 800 bilhões por ano. Em 25 anos o Brasil gastou com pagamentos aos credores da dívida pública mais de 10 trilhões de reais! A sede infinita de acumular riqueza faz dos banqueiros, financistas e especuladores, em conluio com políticos dos três poderes da República, vampiros da Nação brasileira.

A democracia apenas representativa não basta para o Brasil. Quem elege governos e Congressos desde o fim da ditadura são as grandes empresas e bancos. Os escândalos de corrupção revelados nos últimos anos são a ponta do iceberg de um sistema econômico e político que faz do Estado um instrumento das elites do dinheiro para concentrar renda e riqueza nas costas da maioria que vive do seu trabalho, que cria a riqueza do país e está privada de se beneficiar dela.

A explosão de uma crise financeira no Brasil pode significar o congelamento da poupança e das aplicações financeiras, repetindo o desastre social que abalou o Brasil no mandato de Fernando Collor, que golpeou as classes médias, mas atingiu também com virulência os setores mais oprimidos da sociedade.

O artigo do portal Brasil247*** traz essa receita macabra saída da boca de um financista. Toda solução sustentável passa pela realização de uma AUDITORIA da dívida pública – interna e externa. Pensemos: toda empresa e associação tem por obrigação auditar suas contas todos os anos. Por que é que os governos não têm que fazer o mesmo, a fim de prestarem conta aos eleitores da gestão financeira dos seus mandatos?

Como mostrou a CPI da Dívida, realizada entre 2009 e 2010, sem a auditoria o destino da economia brasileira é o caos fiscal, financeiro, produtivo e social. As evidências de irregularidades, ilegalidades e corrupção na gestão do orçamento público e da política de endividamento também emergiram da CPI, mas os poderes da República nada fizeram para investigar e punir os responsáveis, nem para sanear as contas públicas por meio da auditoria contábil e do cancelamento das dívidas ilegais e ilegítimas.

A dívida pública é outro cavalo de Troia que esconde um exército de políticos, banqueiros e grandes empresários corruptos e corruptores, que até agora têm conseguido driblar a demanda popular pelo fim da ciranda financeira que concentra renda e riqueza e empobrece o Brasil e as classes trabalhadoras.

 

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* O autor é economista do InstitutoPACS e colaborador das redes Jubileu Brasil e Diálogos em Humanidade.

** https://www.facebook.com/Jubileu-Sul-Brasil-345687158828714/

www.jubileusul.org.br e www.auditoriacidada.org.br

*** https://www.brasil247.com/pt/247/economia/313073/Banqueiro-avisa-o-calote-da-d%C3%ADvida-vem-a%C3%AD.htm

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