Protesto no Rio cobra punição da Vale por crime ambiental

Centenas de ativistas e representantes de movimentos, organizações e entidades sociais protestaram nesta segunda-feira (16/11) em frente à sede da mineradora Vale, no Centro do Rio. O ato em solidariedade às vítimas do crime ambiental de Bento Rodrigues, em Mariana (MG), foi marcado pela cobrança de que a Vale assuma “todos os custos envolvidos na destruição socioambiental que se alastra de Mariana até o Espírito Santo”, conforme destaca o texto do manifesto entregue no ato.

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Ativistas realizaram performance artística em frente à sede da mineradora Vale (Foto: Comunicação Pacs)

 

A entrada da empresa ficou coberta por lama, levada pelos ativistas em referência à lama tóxica derramada na cidade mineira e que se espalhou pelo Rio Doce, até o Espírito Santo. Performance de ativistas deitados no chão lembrou as vítimas do rompimento da barragem em Minas. O coro puxado por uma banda de metais destacou que a tragédia anunciada “NÃO FOI ACIDENTE”.

O sociólogo Marcelo Castañeda, um dos organizadores do ato, cita que o ato foi apenas o primeiro momento de uma articulação maior de solidariedade. Os manifestantes prometem realizar ações até que haja justiça para as comunidades impactadas.

Impactos e desrespeito – Melisanda Trentin, da coordenação da Justiça Global e da Articulação Internacional do Atingidos pela Vale, destaca que os impactos socioambientais das mineradoras devem ser vistos como violações de direitos humanos. Ela cita a cadeia de violações provocada pela atividade de extração, transporte e exportação mineral: desde o impacto na moradia – remoções, despejos -, passando pela contaminação da água e do ar, até a exploração sexual de meninas e mulheres.

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“Os direitos não são negociáveis.   Estamos falando da responsabilização penal, administrativa e civil da empresa, o que é necessário, mas quando entendemos isso como um direito humano, tem que haver uma ação prévia para garantia desses direitos, e não uma mitigação posterior”, explica Melisanda.

Gabriel Strautman, do Pacs e da Articulação, denuncia o falso discurso de “práticas sustentáveis” da Vale. “Quando você verifica a prática, vê-se uma superexploração da mão de obra, aumento da jornada de trabalho, ausência de politica de segurança”, enumera Gabriel. Ainda segundo ele, o crime ambiental em Mariana traz à tona a importância de que a discussão sobre a revisão do Código de Mineração privilegie a garantia dos direitos das populações impactadas e a proteção do meio ambiente ao invés de ampliar a permissividade para as mineradoras.

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A Articulação Internacional dos Atingidos pela Vale marcou presença no ato

 

 

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